BRAIN DEATH
Thrash Metal com atitude Punk!
Após sua saída da banda paulistana de Thrash Metal, Blasthrash, a qual lançou dois álbuns de estúdio, Felipe Nizuma (Vocal e guitarra) formou no fim de 2008 junto com o baixista Lauro Kushiyama (Ex Condolência), o Brain Death. A banda completada por Rafael Lennon (também baterista do Blasthrash) e pelo guitarrista Natan Satan, lançou no ano seguinte, seu primeiro CD - demo State of Fear. Interessante notar que ao contrário de muitas bandas de Thrash estarem adotando o clichê: “Cerveja e Metal”, o Brain Death adota uma atitude totalmente Punk e se preocupa em apresentar em suas letras uma temática baseada nos problemas que enfrentamos em nosso cotidiano, mostrando ao público algo mais relevante. Com o apoio da Manicômio Discos os garotos se preparam para lançar o primeiro petardo. O SUBSTÂNCIAS DO ROCK AND ROLL, foi atrás dos fundadores Felipe e Lauro para saber mais sobre a banda. Confiram.
SRR: Primeiramente como está repercutindo a demo de estréia de vocês? E de que forma vocês estão divulgando-a?
Lauro: Bom Leandro, a resposta por enquanto que a gente teve da demo foi bem legal. A galera está tanto curtindo a musicalidade da banda quanto o conteúdo das letras. Particularmente, achei que a galera nem fosse reparar tanto na proposta das letras. Mas aos poucos eu vejo que as pessoas ainda lêem.
Felipe: Em primeiro lugar, valeu Leandro pela oportunidade de nos expressar! E sobre a demo, ela tem circulado bastante até, acho que chegamos a um número de umas 500 demos distribuídas, sem contar os downloads. Estamos distribuindo diretamente, nos shows ou pelo correio, e ainda estamos trocando demos com bandas de outras regiões, porque aí rola uma troca não só de materiais, mas de amizade.
SRR: Vocês têm feito muitos shows? E como é a resposta do público?
Lauro: Creio que nessa altura do campeonato podemos dizer que fizemos bastante shows sim. Em minha opinião, poderíamos ter feito mais shows, mas ao mesmo tempo não posso reclamar das grandes oportunidades que apareceram para nós. A resposta do público tem sido ótima. Muitas vezes as pessoas vêm até nós no final do show para conversar, o que é muito legal, pois acho que essa é a intenção, de quebrarmos essa barreira (se é que ela existe) entre público e palco!
Felipe: Temos feito alguns shows, sempre entre a galera do Metal e do Hardcore, coisa bem underground mesmo. Tem sido bem legais, acho que rola uma sintonia bacana de sinceridade muito grande, temos feito muitos amigos em todos os shows.
SRR: A demo State Of Fear foi feita no modo “D.I.Y.” (Do it yourself, ou seja, faça você mesmo), e a própria banda tem feito a distribuição, como será feito o trabalho com a Manicômio Discos?
Lauro: Nesse ponto creio que a distribuição será bem mais profissional, afinal o Gustavo, que administra a Manicômio Discos, tem muitos contatos afora, o que facilita muito a distribuição. Mas claro que nós também venderemos nos shows e nos diferentes eventos.
Felipe: Esse demo a gente não só distribui meio que sozinhos, como a gente gravou sozinhos mesmo, sem estúdio profissional. Não temos muito dinheiro, então ficava meio inviável entrar no estúdio e gastar dois mil reais. Aí fica a dica pra qualquer banda. Vá á internet e baixe um programa de gravação, daí é só procurar os códigos e senhas e começar a fuçar que dá para gravar, só bateria que é difícil mesmo, para captar o som e tal. Vi muita banda boa acabando porque não tinha dinheiro para se manter, não tinha como gravar. Os estúdios são muito caros. Nesse sentido, a gente resolveu gravar em casa com o disco que vai sair pela Manicômio Discos. Desde gravarmos a demo - e que ficou meio tosca ainda, até agora, deu pra fuçar bastante. Acho que chegaremos num resultado interessante. A Manicômio Discos está dentro desta sintonia bacana, eles acreditam bastante no underground, não “crescem o olho” nas bandas.
SRR: Quais são as influências da banda, e de que forma essas influências entram na música do Brain Death?
Lauro: As influências são das mais diversas, as mais tradicionais em relação ao metal. Eu particularmente gosto muito de Punk, Heavy, Power, Speed e até Thrash Metal (risos). Tenho uma escola que não posso negar que veio do Hardcore. Não “esses” Fresnos e NX Zeros da vida, mas sim o Hardcore de verdade (risos). Acho que principalmente o Punk tem um peso muito grande na hora da composição das letras da banda, como letras com bases de contestação e protesto.
Felipe: Fora do Thrash tem muita coisa também. Acho que som não é só a disposição das notas, a estética da parada, então tem muita coisa por fora. A gente curte, e de uma forma ou de outra nos influenciamos, por Racionais Mc’s, Tony Tornado, Adoniran Barbosa...
SRR: Na música “Faster Than A Bullet” vocês citam que no nosso cotidiano o consumo faz as pessoas se digladiarem, ou seja, a vida sempre em guerra. De que forma vocês acham que a cultura underground seria uma arma contra isso?
Lauro: Teoricamente o underground deveria ser a contracultura de tudo que achamos errado em nossas vidas. Creio que há vários pontos em que agimos errado em todo o sistema, para que ele seja extremamente desonesto, corrupto e “canibal”. Acho que parte muito das pessoas serem extremamente individualistas nesse sistema chamado capitalista. Nem culpo as pessoas, pois, desde que você nasce você aprende a competir e a destruir seu concorrente.
Felipe: Essa música foi feita pensando no trânsito de São Paulo, na rua, onde a sociabilidade virou quase zero. O lance é que no underground há a possibilidade da gente trocar idéias e sentir uma igualdade, e que no dia a dia é improvável (desemprego, patrão, racismo, discriminação em geral), quem vive no underground dificilmente está pensando em ganhar dinheiro, ficar rico. Todo mundo aqui está porque gosta. Zineiros, bandas, organizadores de festivais, a galera em geral, todos eles podiam estar fazendo outra coisa, mas não, estão curtindo algo juntos. O negócio também, é que o underground nos ensina muito, porque ao mesmo tempo em que essa igualdade dentro dele é possível, a gente faz parte de um mundo muito grande. Underground não se fecha em si só, então podemos levar essa nossa vivência de igualdade para fora, para o mundo “normal”, a gente aprende para a vida.
SRR: Há muito tempo no Brasil percebemos que a galera que curte metal extremo, é muito unida e se ajuda muito, organizando festivais, vendendo, comprando e trocando materiais de outras bandas underground, fazendo com que hoje o cenário seja muito mais saudável, não havendo mais a discriminação que havia no passado. A que se deve essa mentalidade de bandas e público? E de que forma esse cenário pode continuar em evolução?
Lauro: Acho que o cenário mudou muito graças ao nível de informação diferente que temos hoje como a internet, por exemplo. A internet é algo hoje que pode tanto ajudar as pessoas como destruí-las também. Pelo menos no underground, no metal ela está sendo uma grande aliada para divulgação do material, coisa que há poucos anos atrás seria inconcebível. Hoje, temos contato com bandas da Malásia, Europa, EUA, Ásia em geral... Muito louca essa relação. Graças a isso as pessoas podem pesquisar e buscar diferentes coisas e abrirem mais a mente. Creio que isso é um estado de constante evolução.
SRR: Em contrapartida, o cenário Hard / Heavy, está muito pobre, com muitos bares fechando as portas para bandas de som próprio, e, apoiando e até mesmo pagando cachês para bandas covers, nada contra essas bandas, mas o que fazer pra que mude essa situação?
Lauro: Bom, pelo que eu tenho conhecimento, o cenário Hard está nesse estado graças às pessoas que não apóiam as bandas que se esforçam para fazer som próprio, para dar créditos às bandas que tocam somente música de bandas “clássicas”. Chega o ponto onde não tem como evoluir, ficam estagnadas. Se as pessoas não olharem e não derem devido valor às bandas que suam para conseguir lançar material inédito, logo mais a cena será uma coisa parada.
Felipe: Cara, infelizmente não tem um comprimido que se tome e resolva o problema, ou uma lei que se aplique, como a lei da gravidade. Acho que pode ser feito uma discussão, fazer amizades, pensar o que é essa cultura do capitalismo que faz com que se apóiem bandas covers e não de som próprio. Talvez a negação desses “empresários do rock“ seja uma idéia, propondo a criação de outros rolês, outros espaços, ou grupos de membros do underground, do tipo “nós todos fazendo o rolê por nós mesmos”. Porque aí rola uma sinceridade maior. O bar de rock, estritamente comercial, acaba matando o próprio rock. Eu até entendo que tem que pagar as contas, é o trampo do cara. Mas vejo muito pilantra querendo ganhar dinheiro numa coisa que é paixão e não mercadoria, não é uma fábrica de cadeiras. Já vi gente alugando bar por duzentos reais, cobrando dez para entrar, e no final não pagou as bandas e tinha pelo menos cento e cinqüenta pessoas. Faz as contas: O cara ganha mil e quinhentos reais, tira duzentos do aluguel, mais cem de divulgação. O equipamento era da casa mesmo. No mínimo fica com uns quinhentos/seiscentos paus livre no bolso e depois fica se achando o rei do rock.
SRR: Vocês, especificamente falando, por quais perrengues já passaram e ainda passam com a banda?
Lauro: Ainda muitos lugares dão vários “calotes” em relação às bandas. Muitos lugares cobram das bandas para que toquem em eventos pequenos o que é muito errado pra bandas que estão começando. Muito pior ainda é não ter aparelhagem ou equipamento de som mínimo para que as bandas possam tocar decentemente. Mas muitos lugares em que tocamos, temos que agradecer. A todos que realizaram os eventos, alguns para citar como: Night of Living Thrashers, Metal for All (Salto... valeu Cris), pessoal de Piracicaba (Perci e galera), Rodrigo do Infected entre outros muitos, que, caso tenha esquecido, me desculpem, mas vocês estão no coração e na gratidão eterna!
SRR: Falando em Thrash Metal , nos últimos anos o estilo voltou com força total, surgindo muitas bandas ao redor do mundo, outras reativando suas atividades, muitos documentários e espaço na mídia ajudaram a dar esse novo “boom”. O que há de favorável e de prejudicial com esse retorno?
Lauro: Creio que não podemos dizer algo como favorável ou prejudicial, mas com essa onda apareceram muitas bandas boas, ótimas e maravilhosas assim como muitas bandas antigas retomaram as atividades, talvez bandas que nunca iríamos ver se fosse outra onda. Talvez uma coisa ruim, seja que as grandes gravadoras cresçam os olhos em cima de bandas que estejam dando “lucro” fazendo com que o material de bandas assim fique mais caro e o acesso fique mais restrito, causando certo elitismo na cena.
Felipe: O lado bom é que tem muita gente tendo o trabalho reconhecido. Tipo o Violator ou o The Force do Paraguai, que são gente que está há muito tempo na correria e merecem muito crescer na vida. O lado ruim, é que como a coisa deu uma crescida, tem muito empresário do meio artístico do rock, daqueles que exploram bandas, já querendo ganhar dinheiro em cima do Thrash. O problema disso, é que se esse som “vira” como qualquer outra coisa de mercado e perde o charme, se antes o pessoal se identificava porque podia ser amigo dos caras das bandas e vice versa, agora está rolando um distanciamento, tipo banda lá em cima do palco, cheio de seguranças que não deixam o publico falar com a banda que gosta. Se bem que isso é mais agora recentemente quando as bandas gringas vêm pra cá. Mas ainda assim, no underground em geral, há a possibilidade de o pessoal interagir. Todo mundo. Essa é uma proposta boa de muitas bandas que estão rolando hoje, não tem essa de ser ídolo, ser estrela do rock, é todo mundo junto.
SRR: Para as pessoas se interarem com o cenário nacional e saberem o que está rolando, quais são as bandas que vocês podem citar que valham à pena a galera procurar?
Lauro: Cara, eu acho que a cena metal hoje em dia está muito variada e completa, por isso, acho que agrada a todos, mesmo as pessoas com gostos de vertentes de metal muito variados também. Acho que a banda de destaque hoje, podemos dizer com certeza é o Violator. Eles são uns caras muito esforçados com um som fudidasso e merecem estar onde estão! Sem desmerecer o trabalho de outras bandas podemos citar o Jackhammer (Speed Metal), Infected (Thrash Metal), Blasthrash (Thrash Metal), Kremate (Thrash Metal), Bandanos (Crossover), Farscape (Thrash Metal), Flagelador (Speed / Thrash), Hell Bullet (Thrash Metal), Hate Your Fate (Crossover), Possuído pelo Cão (Crossover), Nucleador (Crossover), Ataque Nuclear (Crossover), Bomb Threat (Thrash Metal), M.A.C.E. (Crossover), Acid Speech (Thrash Metal) e claro, o Pink Dolls (Rock and Roll Raw). Essas bandas realmente valem à pena conferir.
Felipe: Cara tem tanta coisa! O lado bom da internet é que pra quem é curioso, tem muita coisa nova, de hoje, com qualidade, absolutamente boa. Dentro do Thrash, acho que Bandanos, Violator, Lei do Cão, WxCxMx, Anesthesia of Beer, Madhouser, Criminal Mosh, Bomb Threat, Jackhammer... Tem coisa para caramba, dentro do Rock and Roll, tem o Pink Dolls, dentro do Death Metal tem o Infamous Glory, Perceptor, no Hardcore tem Busscops, Nerds Attack, Naifa... Quando a gente vê que todo mundo é igual, que todo mundo pega aquele busão lotado na segunda, está na correria, os rótulos começam a cair, todo mundo é igual e a sinceridade transparece no som de cada banda.
SRR: Quais são os planos da banda e quando sai o debut? Já tem título definido?
Lauro: Bom a banda pretende tocar, tocar e tocar sempre! Rock na veia! (risos)
Bom, logo mais a gente estará gravando material para o Full Lenght e por enquanto ainda não tem título. Por enquanto ainda é surpresa. (risos) Só a diretoria que acompanha a banda nos shows conhece. (risos)
SRR: Valeu galera do BxDx e boa sorte para a banda! Querem deixar alguma consideração final?
Lauro: Valeu a você Leandro por estar nos dando esse espaço para que possamos realmente divulgar nossa banda e nossas idéias para que todos fiquem cientes de qual é a idéia da banda. Porque não é só de música que vive o roqueiro.
Agradeço a todos que estão lendo essa matéria e vida longa ao metal!!! \m/
Felipe: Bom, valeu Leandro, mais uma vez! Só queria dizer que o underground precisa se unir um pouco mais, para acabar com a radicalidade por causa de visual e tempo de rolê que alguns acabam fazendo. Mas ainda bem que tem muitas pessoas se esforçando para a união prevalecer, para todo mundo se ajudar, porque aí o som não pára.
Cinco bandas favoritas e seus melhores álbuns segundo Felipe Nizuma:
Vio-lence – Eternal Nightmare
Ratos de Porão – Brasil
Forbidden – Forbidden Evil
Violator – Chemical Assault
Racionais Mc’s – Sobrevivendo no Inferno
Cinco bandas favoritas e seus melhores álbuns segundo Lauro Kushiyama:
Slayer – Reign in Blood
Forbbiden – Forbbiden Evil
Exodus – Bonded by Blood
Kreator – Extreme Aggression
Violator – Chemical Assault
*P.S. (Lauro): Queria também, citar cinco livros para ler:
“As veias abertas da América Latina” – Eduardo Galeano
“Ética Prática” – Peter Singer
“Ismael” – Daniel Quinn
“1984” – George Orwell
“A Vida dos Animais” – J.M. Coetzee
Brain Death contatos:
E-mail: brainthrash@gmail.com
Myspace: www.myspace.com/brainthrash
Fotolog: www.fotolog.net/braindeathmosh





