domingo, 25 de julho de 2010

IN UNION WE STAND - BARANGA

 


Foto: Carol Mendonça.
Foi com prazer que o Substâncias do Rock and Roll entrevistou uma das melhores bandas nacionais de todos os tempos.
Falar da Baranga (a banda, claro hahaha) é lembrar imediatamente de um único, genuíno, puro, bruto e simples adjetivo: Rock And Roll (ou como eles dizem: Roquenrou).
Formada há alguns anos, a banda vêm tendo uma constante presença no cenário brasileiro, com uma boa média de lançamentos, principalmente se levarmos em conta que estamos falando de rock and roll, Brasil e downloads. A Baranga serve como um ótimo exemplo para bandas que ficam reclamando de todos esses problemas e esperando algo mudar, sem ao menos se mexer.
Contando com o incansável Paulo Thomaz, ou, simplesmente Paulão, na batera, Deca na guitarra, Soneca no baixo e Xande na guitarra e também vocal, a banda se prepara para lançar seu quarto trabalho intitulado O Céu É O Hell. Paulão e Soneca conversaram conosco e deram vários detalhes. Confiram.



SRR O que podemos esperar do novo álbum? O simples e objetivo rock and roll da Baranga? 
Paulo Thomaz – Sim, sim, esse é o CD mais direto da banda, músicas mais curtas e objetivas. 
Soneca – Penso que os arranjos estão mais compactos, direto ao ponto. E estou bem satisfeito com os timbres dos instrumentos. Cada disco soa de uma maneira diferente. O cd novo tá com timbres “de gala”. 

SRR – Qual o significado por trás do título O Céu é o Hell?
PT - É o título de uma música e fala de uma balada rock´n´roll em um bordel. (risos)         
Soneca – O Hell é o verdadeiro “paraíso” para todos que curtem Rock ‘N’ Roll. Ou pelo menos deveria ser... (risos)

SRR Mais uma vez vocês tiveram a produção a cargo do consagrando Heros Trench. É a tal frase do “time que está ganhando não se mexe”?
PT - Pode se dizer que sim, o Heros nos conhece muito bem. Comunicamos-nos muito fácil. Ele sabe o que queremos aí o processo fica mais rápido e o som que ele tira é animal. Não somos Heavy Metal, mas somos pesados.
Soneca Nos sentimos em casa no estúdio Mr. Som, do Heros e do Pompeu. Eles já sabem como gostamos de trabalhar. Nos já sabemos como trabalhar com eles, então não tem porque mudar. Além disso, somos amigos e na época de gravação o estúdio vira uma segunda casa. (risos)

SRR – Muito legal a capa do disco novo. De quem é a arte?
PT - É do Diogo Oliveira. Ele é muito eclético, o que você pede ele faz. Não se prende a um estilo só.
Soneca Baita artista que captou o que queríamos nesse disco. Além de designer, o cara é do Rock, guitarrista, o que deixa as coisas mais fáceis. A caricatura vem dentro do encarte que está em formato de mini-poster.

SRR – A idéia de nomear a banda como Baranga, surgiu de alguma experiência ruim de alguém da banda?
PT - Foi em um momento sem inspiração (risos). Estávamos no primeiro ensaio e tínhamos que ter algum nome para o dono do estúdio marcar. Aí foi... Tentamos até mudar, mas não rolou (risos).
Soneca – Foi de bobeira, para marcar ensaio no estúdio precisava ter um nome. Colocamos Baranga e foi ficando, ficando, o Xande fez uma música com esse nome e taí até hoje. (risos)

SRR A Baranga se mostra uma banda que se dedica fielmente ao rock brasileiro, cantando em nossa língua e apostando no puro rock and roll, sem experimentalismos e modernices. Isso é legal que faz com que os fãs se interessem em conhecer as bandas brazucas antigas que também apostavam nessa fórmula. Vocês acreditam nisso?
PT – Sim. Também. E pelo fato de que o Xande tem uma forma muito natural de compor em português, que é muito difícil.
Soneca – Pode acontecer de buscar coisas mais antigas depois de nos ouvir. Como o inverso também deve acontecer. São nossas influências e temos muito respeito por quem fez Rock, no Brasil, desde a década de 50. Mas gostaria que paralelo a isso, a galera buscasse conhecer várias bandas que estão fazendo Rock ‘n’ Roll, nos dias atuais, pelo mundo afora: Tabernarios, Bonafide, Airbourne, Devil Presley, Blackberry Smoke, Viticus, Nashville Pussy, Rhino Bucket, entre outras. Esse papo que só existe música boa no passado é conversa pra boi dormir.

SRR Paulão, você é um cara guerreiro que está na cena desde o início da década de 80, quando começou com o histórico Centúrias, e ainda está aí batalhando no cenário. Muitos músicos daquela época nem ouvem mais rock and roll. O que faz você manter essa paixão pela música até hoje, tocando, pegando estrada?
PT – Bom, antes de mais nada eu sou roqueiro antes de ser baterista. Não me julgo músico no sentido puro da palavra só sei tocar rock e vivo isso, se não tocar rock´n´roll fico doente (risos).

SRR Os três primeiros álbuns venderam em torno de sete mil cópias. Em se tratando de rock brasileiro, numa época que além dos downloads gratuitos, a maioria do público prestigia apenas as bandas covers, o que significa para vocês atingir esta surpreendente marca?
PT – Olha... É muita ralação. Você tem que cavar o seu espaço e respeito do público na porrada. Estamos no quarto disco e 10 anos de banda e só agora que estamos tendo um retorno. É muito difícil, mas não impossível. Temos sorte de estarmos juntos até hoje. Passamos por tudo e a banda está intacta. Temos nossas diferenças, mas no palco somos uma coisa só. É muito louco isso.
Soneca – Significa que estamos ralando bastante na estrada. Banda que não faz show, não existe. Só tocando muito ao vivo conseguimos divulgar nosso som. Fico satisfeito que a conseqüência seja essa.

  “Você tem que cavar seu espaço e respeito do público na porrada.” – Paulo Thomaz.

SRR Cada lançamento da Baranga é sempre muito bem visto pela crítica e todos os álbuns têm aquela pegada tradicional da banda. Isso mostra que manter a fórmula não é negativo como muitos pregam?                                                                                    
PT - É o nosso jeito de tocar. Não conseguimos e não queremos mudar somos isso.
Soneca – Tem que fazer o que gosta. Quem gosta de mudar, que mude. Gostamos de fazer Rock ‘n’ Roll e assim pretendemos continuar.

SRR Em todos esses anos de banda, o público está acostumado a ver aquela energia contagiante ao vivo. Apesar de serem gravadas em estúdio, é do palco que percebemos o poder de fogo vindo das canções. Já estando em seu quarto álbum, vocês pensam em lançar um álbum ao vivo?
PT – Sim, talvez o ano que vem. 
Soneca – Provavelmente será nossa próxima empreitada.

SRR E sobre um DVD? Vocês costumam gravar suas apresentações para um possível lançamento nesse formato?
PT - É o ao vivo. Será um DVD. Temos muito material que dará bons extras. 
Soneca - Temos muitos ‘extras’ para um futuro DVD. Mas um show completo para edição, e com uma mixagem decente ainda terá que ser captado. Não gostamos de fazer nada ‘nas coxas’.

SRR – Em 2007 vocês participaram da seletiva brasileira Wacken Metal Battle para o Festival alemão. Mesmo cantando em português, vocês têm a intenção de conquistar outros mercados fora da América do Sul?
PT - Não é tão difícil. Já tocamos no Chile e foi muito bom. Pretendemos ir à Argentina, e até na Europa temos alguns contatos. Tem um alemão fanzaço da gente, ele não entende nada, mas pira com o som... Vai saber... (risos).

Soneca – Não participamos da seletiva. Fomos convidados pra fechar o evento da seletiva, em Varginha. Já tocamos uma vez no Chile, num festival com bandas locais e argentinas. Se rolar oportunidade de tocar em outros lugares, estamos sempre prontos.

SRR Músicas da Baranga estão na programação da rádio Ripollet Rock, de Barcelona, Espanha. Qual tem sido a resposta do público de lá?
PT - Então como disse... O rock não tem fronteiras, fizemos até uma música em espanhol que está gravada no Whiskey do Diabo. Estamos conquistando muitos fãs pelo mundo.
Soneca – É bacana chegar com nosso som a lugares tão distantes, mesmo cantando em português. Nesse caso, graças a um uruguaio radicado em Barcelona. Ele também edita um fanzine que sempre traz bandas do mundo inteiro. Incluindo o Rock feito na América Latina. Até para a Alemanha já vendemos cd´s. O Céu é o Hell nem saiu e tem encomenda para ir para lá.

SRR – Como foi à participação da banda no festival chileno “Eje Del Mal” em 2008? Sentiram diferença de organização e estrutura?  
PT – Sim. Foi animal. Lá é muito mais profissional, apesar de ser underground, tinha um equipo de primeira e um puta som. Tudo é melhor lá. Os jovens são roqueiros, todo mundo envolvido é rocker. Não tem pagode, axé... Essas merdas! (risos). 
Soneca – Foi sensacional esse show. Tocamos com outras seis bandas, do Chile e Argentina. A maioria de Stoner Rock. Mas todas com personalidade própria e um puta som. A organização dos caras é muito foda. Todos se envolvem na produção e as bandas respeitam muito os horários e tempo de duração de cada show, sem precisar ter alguém controlando isso. Uma das bandas, os Tabernarios, vem ao Brasil pra fazer alguns shows com a Baranga, incluindo o show de lançamento do cd O Céu é o Hell.  

SRR – E qual foi a reação do Público latino?
PT - Foi ótima! Claro que não conheciam as músicas. Mas já no segundo riff já estavam agitando.
Soneca – Roqueiro é igual no mundo inteiro. Quando o Rock começou a rolar a galera pirou. O Xande inventou um portunhol lá, e a galera se divertiu pra caramba com as bobagens proferidas entre as músicas. (risos).

SRR – Vocês têm planos de gravar algum clipe para promover o novo álbum O Céu é o Hell?                                         
PT – Sim. Já estamos com algumas idéias para a musica “Na madrugada”.  Soneca – Vamos gravar até setembro.
SRR – Desde o início a banda conta com o mesmo line-up. Isso é um fato interessantíssimo, pois a maioria das bandas não consegue manter uma mesma formação por quatro discos. Qual o segredo para tal estabilidade?
PT - Olha, já passamos por tudo. Tretas existem, mas sempre resolvemos e hoje há um respeito maior pelas diferenças e como eu disse, nós amamos a nossa música e no palco somos uma coisa só.
Soneca – Sei que é difícil e raro conseguir isso. O que ajudou foi o fato de gostarmos de beber cerveja juntos. O Rock vem de lambuja. (risos)
SRR Quais são as bandas e os músicos que influenciaram a banda?
PT - Status Quo, AC/DC, Motörhead, Ramones, Slade, Chuck Berry. E nacional: Tutti Frutti, Patrullha do Espaço, Erasmo Carlos...
Soneca – Cada um carrega sua influência pessoal. Mas na banda as influências sempre foram AC/DC, Status Quo, Motörhead e um pouco de Ramones. E claro, as bandas brasileiras que fazem Rock em português.



Da esq. para dir.: Soneca, Xande, Paulão, Deca.

SRR – O que vocês pensam a respeito dos downloads?
PT - É o tempo que vivemos. Não dá para ignorar. Para nós, uma banda sem mídia, é bom porque ajuda a divulgar. Por mim tudo bem.
Soneca – Nessa altura dos acontecimentos: “Faça o que tu queres, pois é tudo da lei!”

SRRAno passado vocês fizeram a abertura do show do Motörhead que é uma clara influência da banda. Como foi a experiência?
PT – Cara, para mim foi um sonho. Eu ouço Motor desde 80. Lemmy is God! (risos). O que posso falar?... Foi fooooooooda!
Soneca – Foi espetacular em vários aspectos. Pelo fato de ser o Motörhead. Via Funchal lotado. O show ter rolado tranqüilo. Ter visto a equipe dos caras trampando com uma puta organização, etc. Temos imagens desse show e talvez um dia saia um ‘bootleg oficial’.

SRR Uma curiosidade, é que os discos Whiskey do Diabo, Meu Mal e agora O Céu é o Hell, têm em comum, o lado mal marcando presença nos títulos. O rock então “é coisa do diabo”?
PT – Cara acho que não é esse mal, no sentido de prejudicar os outros e sim no sentido de que a sociedade hoje em dia está muito hipócrita e esse “politicamente correto” está um saco! Pô, o rock foi sempre marcado por sexo, álcool e... Rock and roll! Quem não gosta de mulheres, bebidas, carros, motos... Enfim, se divertir! O Matanza tem uma frase boa: "Bom é o que faz mal"! É isso! 
Soneca – Essa é uma herança herdada do Blues. “The Devil’s Music”. È sempre bom manter algo das raízes.



“Esse papo que só existe música boa no passado é conversa pra boi dormir.” – Soneca.

SRR Como tem sido essa parceria com a Voice Music?
PT - Trabalhamos juntos. Hoje em dia tudo é parceria. O Sílvio (Golfetti, proprietário e ex guitarrista do Korzus) tem uma boa entrada em lojas grandes, coisa que nós como banda não temos, como por exemplo: a Fenac, Universal e a Saraiva.
Soneca – Ela dá o apoio que precisamos na distribuição e na divulgação do cd. É difícil fazer tudo sozinho. Quanto mais parcerias melhor.

SRRPaulão, como foi a experiência de ter tocado com o Korzus?
PT – Putz... Foi demais... Fizemos um show histórico em Americana, com Sepultura, Korzus, Mutilator e mais algumas. E nessa noite o Korzus foi o headliner. O Sepultura estava começando. Foi uma puta experiência. Mas não é a minha praia. A minha pegada é mais pesada do que rápida, mas eu amo essa banda.

SRRQuais são as próximas metas da banda?
PT - Bom... Tocar pra caraka pelo país, divulgando o O Céu é o Hell a partir de agosto.
Soneca – Gravar um disco ao vivo.

SRR Há muito tempo vocês tocam o cover de “O Bom” do Eduardo Araújo ao vivo. O que ele achou da Baranga coverizar a música dele?
PT - No começo da banda ensaiávamos em um estúdio onde o Eduardo Araújo era amigo da proprietária, e uma dessas noites ele estava lá e deu uma olhada no nosso ensaio e gostou pacas, pelo menos é o que ele disse (risos).
Soneca – Já tocávamos ‘Lobo Mau’, do Roberto Carlos. Até que um dia num ensaio, adentra a figura do Eduardo Araújo. Disse que o som tava legal, que a banda tinha dinâmica. Na semana seguinte, começamos ensaiar ‘O Bom’ e tocamos por muito tempo essa música. Esse cara foi um dos pioneiros do Rock brasileiro. O Elvis de Minas Gerais. (risos) Já pensamos várias vezes em gravá-la, mas ainda não rolou.

SRR – Vocês já ganharam vários prêmios em eleições anuais feitas por revistas especializadas em Rock and Roll. Esse reconhecimento é o que dá o combustível para continuar em frente?
PT - Sim, mas não só isso. Nós tocamos porque é vital. Nós amamos e vivemos rock and roll. Isso tudo é conseqüência.
Soneca – Sem crítica positiva fica difícil seguir em frente. Mas o maior reconhecimento está nos shows, quando vejo a galera curtindo, dançando e cantando nossas músicas.
                                                                              
SRR – Mudando um pouco de assunto... Como reagiram com a notícia da morte do ícone Ronnie James Dio?
PT – Porra foi foda. É a morte de um puta soldado do rock, um cara gente fina que nunca desistiu.
Soneca – É o primeiro sinal do que virá no futuro próximo. O tempo passa e muitos dos pioneiros do Rock, de uma forma ou de outra, vão parar. Por isso, a importância de procurar bandas que estão fazendo Rock de alta qualidade nos dias atuais. Se isso não acontecer, quando as grandes bandas saírem de cena não haverá peças de reposição.

SRR – Quais são os maiores “perrengues” pela qual a banda já passou ou passa desde que iniciou?
PT - Olha os “perrengues” a gente esquece no dia seguinte. Não são poucos, mas não nos abala. Tocar rock “true” no Brasil já é um perrengue (risos).
Soneca – Os perrengues normalmente são causados por desorganização de quem deveria organizar. Mas quase todas às vezes o show recompensa os perrengues.

SRR – Como é o processo de composição da banda?
PT - É basicamente, o Deca e o Xande. Os dois aparecem com alguns riffs, vamos juntando e o Xande vai escrevendo as suas "poesias" (risos).
Soneca – O Xande sempre traz o esqueleto - Riffs/Melodia quase prontos - e arranjamos todos juntos no ensaio. O Deca, que faz muitos dos riffs da Baranga, também traz o esqueleto pronto. Com exceção da melodia e arranjo final, que são feitos no ensaio. Eu levo às vezes alguns riffs de guitarra e outras vezes o riff com alguma melodia. Mas também é tudo arranjado no ensaio. O Paulão contribui nos arranjos com as levadas de batera e com letras também, que são na maioria do Xande, às vezes com alguns enxertos que faço. E outras minhas, com ou sem a participação do Xande. Ou seja, é um trabalho de banda mesmo.

SRR – Galera foi muito bom fazer essa entrevista com vocês. Sorte para todos e sigam em frente com o genuíno rock and roll característico da Baranga! Deixem suas mensagens finais para os leitores do Substâncias do Rock And Roll.
PT - Aeeeeeeee muito obrigado pelo espaço e não desistam nunca! Rock on! Abraço.
Soneca – Longa Vida Ao Rock ‘N’ Roll!


Cinco bandas favoritas e seus respectivos álbuns segundo Paulo Thomaz:

Led Zeppelin   -  Physical Graffiti
Motörhead      -  No Sleep ´till Hammer Smith
AC/DC             - Highway to Hell
Tutti Frutti      - Fruto Proibido
Judas Priest    - Screaming for Vengeance

OBS: 
Paulão - Teriam mais, mas esses daí resumem bem o meu estilo. (risos). Não posso deixar de citar o Status Quo “Alive”. É uma aula de rock and roll!




















 Discografia

1- Baranga (demo) - 2001
2- Baranga - 2003 
3- Whiskey do Diabo - 2005
4- Meu Mal - 2007
5- O Céu é o Hell - 2010


quarta-feira, 2 de junho de 2010

PINK DOLLS NA EGO CLUB, NESTE SÁBADO 05/06/2010

Galera, vou aproveitar pra divulgar o show da minha banda, Pink Dolls, que vai rolar neste sábado ás 22:00, na Ego Club (Antiga Ocean Club).
Estaremos vendendo cd´s e camisetas da banda, no local!

Segue o flyer:

sexta-feira, 7 de maio de 2010

IN UNION WE STAND - BRAIN DEATH


BRAIN DEATH

Thrash Metal com atitude Punk!
Por T-Böne 8 
Após sua saída da banda paulistana de Thrash Metal, Blasthrash, a qual lançou dois álbuns de estúdio, Felipe Nizuma (Vocal e guitarra) formou no fim de 2008 junto com o baixista Lauro Kushiyama (Ex Condolência), o Brain Death. A banda completada por Rafael Lennon (também baterista do Blasthrash) e pelo guitarrista Natan Satan, lançou no ano seguinte, seu primeiro CD - demo State of Fear. Interessante notar que ao contrário de muitas bandas de Thrash estarem adotando o clichê: “Cerveja e Metal”, o Brain Death adota uma atitude totalmente Punk e se preocupa em apresentar em suas letras uma temática baseada nos problemas que enfrentamos em nosso cotidiano, mostrando ao público algo mais relevante.  Com o apoio da Manicômio Discos os garotos se preparam para lançar o primeiro petardo. O SUBSTÂNCIAS DO ROCK AND ROLL, foi atrás dos fundadores Felipe e Lauro para saber mais sobre a banda. Confiram.

SRR: Primeiramente como está repercutindo a demo de estréia de vocês? E de que forma vocês estão divulgando-a?
Lauro: Bom Leandro, a resposta por enquanto que a gente teve da demo foi bem legal. A galera está tanto curtindo a musicalidade da banda quanto o conteúdo das letras. Particularmente, achei que a galera nem fosse reparar tanto na proposta das letras. Mas aos poucos eu vejo que as pessoas ainda lêem.
Felipe: Em primeiro lugar, valeu Leandro pela oportunidade de nos expressar! E sobre a demo, ela tem circulado bastante até, acho que chegamos a um número de umas 500 demos distribuídas, sem contar os downloads. Estamos distribuindo diretamente, nos shows ou pelo correio, e ainda estamos trocando demos com bandas de outras regiões, porque aí rola uma troca não só de materiais, mas de amizade.

SRR: Vocês têm feito muitos shows? E como é a resposta do público?
Lauro: Creio que nessa altura do campeonato podemos dizer que fizemos bastante shows sim. Em minha opinião, poderíamos ter feito mais shows, mas ao mesmo tempo não posso reclamar das grandes oportunidades que apareceram para nós. A resposta do público tem sido ótima. Muitas vezes as pessoas vêm até nós no final do show para conversar, o que é muito legal, pois acho que essa é a intenção, de quebrarmos essa barreira (se é que ela existe) entre público e palco!
Felipe: Temos feito alguns shows, sempre entre a galera do Metal e do Hardcore, coisa bem underground mesmo. Tem sido bem legais, acho que rola uma sintonia bacana de sinceridade muito grande, temos feito muitos amigos em todos os shows.

SRR: A demo State Of Fear foi feita no modo “D.I.Y.” (Do it yourself, ou seja, faça você mesmo), e a própria banda tem feito a distribuição, como será feito o trabalho com a Manicômio Discos?
Lauro: Nesse ponto creio que a distribuição será bem mais profissional, afinal o Gustavo, que administra a Manicômio Discos, tem muitos contatos afora, o que facilita muito a distribuição. Mas claro que nós também venderemos nos shows e nos diferentes eventos.
Felipe: Esse demo a gente não só distribui meio que sozinhos, como a gente gravou sozinhos mesmo, sem estúdio profissional. Não temos muito dinheiro, então ficava meio inviável entrar no estúdio e gastar dois mil reais. Aí fica a dica pra qualquer banda. Vá á internet e baixe um programa de gravação, daí é só procurar os códigos e senhas e começar a fuçar que dá para gravar, só bateria que é difícil mesmo, para captar o som e tal. Vi muita banda boa acabando porque não tinha dinheiro para se manter, não tinha como gravar. Os estúdios são muito caros. Nesse sentido, a gente resolveu gravar em casa com o disco que vai sair pela Manicômio Discos. Desde gravarmos a demo - e que ficou meio tosca ainda, até agora, deu pra fuçar bastante. Acho que chegaremos num resultado interessante. A Manicômio Discos está dentro desta sintonia bacana, eles acreditam bastante no underground, não “crescem o olho” nas bandas.

SRR: Quais são as influências da banda, e de que forma essas influências entram na música do Brain Death?
Lauro: As influências são das mais diversas, as mais tradicionais em relação ao metal. Eu particularmente gosto muito de Punk, Heavy, Power, Speed e até Thrash Metal (risos). Tenho uma escola que não posso negar que veio do Hardcore. Não “esses” Fresnos e NX Zeros da vida, mas sim o Hardcore de verdade (risos). Acho que principalmente o Punk tem um peso muito grande na hora da composição das letras da banda, como letras com bases de contestação e protesto.
Felipe: Fora do Thrash tem muita coisa também. Acho que som não é só a disposição das notas, a estética da parada, então tem muita coisa por fora. A gente curte, e de uma forma ou de outra nos influenciamos, por Racionais Mc’s, Tony Tornado, Adoniran Barbosa...

SRR: Na música “Faster Than A Bullet” vocês citam que no nosso cotidiano o consumo faz as pessoas se digladiarem, ou seja, a vida sempre em guerra. De que forma vocês acham que a cultura underground seria uma arma contra isso?
Lauro: Teoricamente o underground deveria ser a contracultura de tudo que achamos errado em nossas vidas. Creio que há vários pontos em que agimos errado em todo o sistema, para que ele seja extremamente desonesto, corrupto e “canibal”. Acho que parte muito das pessoas serem extremamente individualistas nesse sistema chamado capitalista. Nem culpo as pessoas, pois, desde que você nasce você aprende a competir e a destruir seu concorrente.
Felipe: Essa música foi feita pensando no trânsito de São Paulo, na rua, onde a sociabilidade virou quase zero. O lance é que no underground há a possibilidade da gente trocar idéias e sentir uma igualdade, e que no dia a dia é improvável (desemprego, patrão, racismo, discriminação em geral), quem vive no underground dificilmente está pensando em ganhar dinheiro, ficar rico. Todo mundo aqui está porque gosta. Zineiros, bandas, organizadores de festivais, a galera em geral, todos eles podiam estar fazendo outra coisa, mas não, estão curtindo algo juntos. O negócio também, é que o underground nos ensina muito, porque ao mesmo tempo em que essa igualdade dentro dele é possível, a gente faz parte de um mundo muito grande. Underground não se fecha em si só, então podemos levar essa nossa vivência de igualdade para fora, para o mundo “normal”, a gente aprende para a vida.

SRR: Há muito tempo no Brasil percebemos que a galera que curte metal extremo, é muito unida e se ajuda muito, organizando festivais, vendendo, comprando e trocando materiais de outras bandas underground, fazendo com que hoje o cenário seja muito mais saudável, não havendo mais a discriminação que havia no passado. A que se deve essa mentalidade de bandas e público? E de que forma esse cenário pode continuar em evolução?
Lauro: Acho que o cenário mudou muito graças ao nível de informação diferente que temos hoje como a internet, por exemplo. A internet é algo hoje que pode tanto ajudar as pessoas como destruí-las também. Pelo menos no underground, no metal ela está sendo uma grande aliada para divulgação do material, coisa que há poucos anos atrás seria inconcebível. Hoje, temos contato com bandas da Malásia, Europa, EUA, Ásia em geral... Muito louca essa relação. Graças a isso as pessoas podem pesquisar e buscar diferentes coisas e abrirem mais a mente. Creio que isso é um estado de constante evolução. 

SRR: Em contrapartida, o cenário Hard / Heavy, está muito pobre, com muitos bares fechando as portas para bandas de som próprio, e, apoiando e até mesmo pagando cachês para bandas covers, nada contra essas bandas, mas o que fazer pra que mude essa situação?
Lauro: Bom, pelo que eu tenho conhecimento, o cenário Hard está nesse estado graças às pessoas que não apóiam as bandas que se esforçam para fazer som próprio, para dar créditos às bandas que tocam somente música de bandas “clássicas”. Chega o ponto onde não tem como evoluir, ficam estagnadas. Se as pessoas não olharem e não derem devido valor às bandas que suam para conseguir lançar material inédito, logo mais a cena será uma coisa parada.
Felipe: Cara, infelizmente não tem um comprimido que se tome e resolva o problema, ou uma lei que se aplique, como a lei da gravidade. Acho que pode ser feito uma discussão, fazer amizades, pensar o que é essa cultura do capitalismo que faz com que se apóiem bandas covers e não de som próprio. Talvez a negação desses “empresários do rock“ seja uma idéia, propondo a criação de outros rolês, outros espaços, ou grupos de membros do underground, do tipo “nós todos fazendo o rolê por nós mesmos”. Porque aí rola uma sinceridade maior. O bar de rock, estritamente comercial, acaba matando o próprio rock. Eu até entendo que tem que pagar as contas, é o trampo do cara. Mas vejo muito pilantra querendo ganhar dinheiro numa coisa que é paixão e não mercadoria, não é uma fábrica de cadeiras. Já vi gente alugando bar por duzentos reais, cobrando dez para entrar, e no final não pagou as bandas e tinha pelo menos cento e cinqüenta pessoas. Faz as contas: O cara ganha mil e quinhentos reais, tira duzentos do aluguel, mais cem de divulgação. O equipamento era da casa mesmo. No mínimo fica com uns quinhentos/seiscentos paus livre no bolso e depois fica se achando o rei do rock.

SRR: Vocês, especificamente falando, por quais perrengues já passaram e ainda passam com a banda?
Lauro: Ainda muitos lugares dão vários “calotes” em relação às bandas. Muitos lugares cobram das bandas para que toquem em eventos pequenos o que é muito errado pra bandas que estão começando. Muito pior ainda é não ter aparelhagem ou equipamento de som mínimo para que as bandas possam tocar decentemente. Mas muitos lugares em que tocamos, temos que agradecer. A todos que realizaram os eventos, alguns para citar como: Night of Living Thrashers, Metal for All (Salto... valeu Cris), pessoal de Piracicaba (Perci e galera), Rodrigo do Infected entre outros muitos, que, caso tenha esquecido, me desculpem, mas vocês estão no coração e na gratidão eterna!

SRR: Falando em Thrash Metal, nos últimos anos o estilo voltou com força total, surgindo muitas bandas ao redor do mundo, outras reativando suas atividades, muitos documentários e espaço na mídia ajudaram a dar esse novo “boom”. O que há de favorável e de prejudicial com esse retorno?
Lauro: Creio que não podemos dizer algo como favorável ou prejudicial, mas com essa onda apareceram muitas bandas boas, ótimas e maravilhosas assim como muitas bandas antigas retomaram as atividades, talvez bandas que nunca iríamos ver se fosse outra onda. Talvez uma coisa ruim, seja que as grandes gravadoras cresçam os olhos em cima de bandas que estejam dando “lucro” fazendo com que o material de bandas assim fique mais caro e o acesso fique mais restrito, causando certo elitismo na cena.
Felipe: O lado bom é que tem muita gente tendo o trabalho reconhecido. Tipo o Violator ou o The Force do Paraguai, que são gente que está há muito tempo na correria e merecem muito crescer na vida. O lado ruim, é que como a coisa deu uma crescida, tem muito empresário do meio artístico do rock, daqueles que exploram bandas, já querendo ganhar dinheiro em cima do Thrash. O problema disso, é que se esse som “vira” como qualquer outra coisa de mercado e perde o charme, se antes o pessoal se identificava porque podia ser amigo dos caras das bandas e vice versa, agora está rolando um distanciamento, tipo banda lá em cima do palco, cheio de seguranças que não deixam o publico falar com a banda que gosta. Se bem que isso é mais agora recentemente quando as bandas gringas vêm pra cá. Mas ainda assim, no underground em geral, há a possibilidade de o pessoal interagir. Todo mundo. Essa é uma proposta boa de muitas bandas que estão rolando hoje, não tem essa de ser ídolo, ser estrela do rock, é todo mundo junto.

SRR: Para as pessoas se interarem com o cenário nacional e saberem o que está rolando, quais são as bandas que vocês podem citar que valham à pena a galera procurar?
Lauro: Cara, eu acho que a cena metal hoje em dia está muito variada e completa, por isso, acho que agrada a todos, mesmo as pessoas com gostos de vertentes de metal muito variados também. Acho que a banda de destaque hoje, podemos dizer com certeza é o Violator. Eles são uns caras muito esforçados com um som fudidasso e merecem estar onde estão! Sem desmerecer o trabalho de outras bandas podemos citar o Jackhammer (Speed Metal), Infected (Thrash Metal), Blasthrash (Thrash Metal), Kremate (Thrash Metal), Bandanos (Crossover), Farscape (Thrash Metal), Flagelador (Speed / Thrash), Hell Bullet (Thrash Metal), Hate Your Fate (Crossover), Possuído pelo Cão (Crossover), Nucleador (Crossover), Ataque Nuclear (Crossover), Bomb Threat (Thrash Metal), M.A.C.E. (Crossover), Acid Speech (Thrash Metal) e claro, o Pink Dolls (Rock and Roll Raw). Essas bandas realmente valem à pena conferir.
Felipe: Cara tem tanta coisa! O lado bom da internet é que pra quem é curioso, tem muita coisa nova, de hoje, com qualidade, absolutamente boa. Dentro do Thrash, acho que Bandanos, Violator, Lei do Cão, WxCxMx, Anesthesia of Beer, Madhouser, Criminal Mosh, Bomb Threat, Jackhammer... Tem coisa para caramba, dentro do Rock and Roll, tem o Pink Dolls, dentro do Death Metal tem o Infamous Glory, Perceptor, no Hardcore tem Busscops, Nerds Attack, Naifa... Quando a gente vê que todo mundo é igual, que todo mundo pega aquele busão lotado na segunda, está na correria, os rótulos começam a cair, todo mundo é igual e a sinceridade transparece no som de cada banda.

SRR: Quais são os planos da banda e quando sai o debut? Já tem título definido?
Lauro: Bom a banda pretende tocar, tocar e tocar sempre! Rock na veia! (risos)
Bom, logo mais a gente estará gravando material para o Full Lenght e por enquanto ainda não tem título. Por enquanto ainda é surpresa. (risos) Só a diretoria que acompanha a banda nos shows conhece. (risos)

SRR: Valeu galera do BxDx e boa sorte para a banda! Querem deixar alguma consideração final?
Lauro: Valeu a você Leandro por estar nos dando esse espaço para que possamos realmente divulgar nossa banda e nossas idéias para que todos fiquem cientes de qual é a idéia da banda. Porque não é só de música que vive o roqueiro.
Agradeço a todos que estão lendo essa matéria e vida longa ao metal!!! \m/
Felipe: Bom, valeu Leandro, mais uma vez! Só queria dizer que o underground precisa se unir um pouco mais, para acabar com a radicalidade por causa de visual e tempo de rolê que alguns acabam fazendo. Mas ainda bem que tem muitas pessoas se esforçando para a união prevalecer, para todo mundo se ajudar, porque aí o som não pára.

Cinco bandas favoritas e seus melhores álbuns segundo Felipe Nizuma:
Vio-lence – Eternal Nightmare
Ratos de Porão – Brasil
Forbidden – Forbidden Evil
Violator – Chemical Assault
Racionais Mc’s – Sobrevivendo no Inferno

Cinco bandas favoritas e seus melhores álbuns segundo Lauro Kushiyama:

Slayer – Reign in Blood
Forbbiden – Forbbiden Evil
Exodus – Bonded by Blood
Kreator – Extreme Aggression
Violator – Chemical Assault

*P.S. (Lauro): Queria também, citar cinco livros para ler:

“As veias abertas da América Latina” – Eduardo Galeano
“Ética Prática” – Peter Singer
“Ismael” – Daniel Quinn
1984” – George Orwell
“A Vida dos Animais” – J.M. Coetzee

Brain Death contatos:
Lauro, Felipe, Rafael, Natan.